As vezes gostava de não ser tão complicada e difícil, sinceramente. Tão nervosa e desconfiada! Não pessimista e contraditória.
Vivo a picar as pessoas, e queixo-me delas constantemente acerca das suas atitudes. Mas quando passam aquela linha, paro de me queixar das atitudes e começo a ceder...
Contudo para chegar ai, por vezes é um filme, que raramente alguém fica a ver até ao fim. Sou constantemente um filme sem fim para muitas pessoas, em que o fim que criam é tão diferente da realidade. Enquanto tenho todos os saberes, tendem só a dar-me um, numa tentativa de se convencerem que esse é o melhor resultado que podiam ter comigo.
E eu deixe que se percam nessa imagem, convencendo-me que eles também não valem a pena... E continuo fria, impenetrável, que nem uma lua ao longe, em que todos apreciam a sua beleza, mas depois não a conseguem ver focando-se nas enumeras crateras. Tudo isso de longe, sem realmente me tocar ou sentir.
Estou ainda a descobrir-me, cada traço, cada modo do meu ser, sou demasiado complicada até para mim, mas admiro-me apesar de tudo. E fico irritada comigo muitas vezes. Gosto das minhas contradições, mas muitas vezes não as suporto.
Sou a miúda que enfrenta o mundo sozinha, mas que não deixa de ter medo dele. Forte e fragil ao mesmo tempo.
O engraçado, é que no fim só quero que me aceitem! Que parem de fugir ou de tentarem me dominar. Não sou algo que se domina, sou algo que se acompanha. Não quero que me deixem sobrepor a eles. Quero que saibam bater o pé no chão e dizer-me não, defenderem-se, sem me maltratarem, levarem a sua avante sem me colocar em causa. Quero discutir, berrar, gritar, e saber que poderei voltar a chorar naquele ombro depois.
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